Ataques à estatal causaram fechamento de 11 mil empregos desde dezembro
O cerco econômico, político e judicial à Petrobras fez a indústria naval fechar 11 mil postos de trabalho desde dezembro. Além disso, caso a principal empresa do país estivesse operando normalmente, o setor poderia ter mais 100 mil pessoas empregadas.
A contabilidade foi apresentada nesta quinta-feira pelo Sindicato da Indústria Naval Brasileira (Sinaval) em audiência pública na Câmara dos Deputados. O presidente do Sinaval, Ariovaldo Santana de Rocha, porém, desmentiu que as demissões já chegariam a 20 mil vagas.
“Até o momento, foram cerca de 11 mil demissões no setor. Em dezembro, a indústria naval tinha 82 mil empregos diretos. Hoje, são 71 mil. Não fossem os problemas atuais, poderíamos ter mais de 100 mil pessoas empregadas”, explicou Ariovaldo.
Ele elogiou as iniciativas do governo para estimular o setor naval, mas criticou duramente os bancos, que têm criado dificuldades para garantir o crédito necessário à execução dos investimentos previstos em contratos.
“Estamos trabalhando diretamente com o Governo Federal. No entanto, infelizmente não temos conseguido solução para o problema de financiamentos com o setor financeiro. A exceção é o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”, destacou Rocha.
A chefe do Departamento de Gás, Petróleo e Cadeia Produtiva do BNDES, Priscila Branquinho das Dores, informou que a instituição já desembolsou R$ 16,7 bilhões para a indústria naval.
Desse total, 54% foram destinados a embarcações de apoio, 23% para navios petroleiros e 23% para estaleiros e plataformas: “Só em 2015, já foi desembolsado R$ 1,5 bilhão para a indústria naval”, salientou Priscila.
Segundo Rocha, os bancos demoram cerca de 90 dias apenas para responder a pedidos de financiamento: “E boa parte das respostas é negativa. Em 40 dias, o BNDES consegue informar se tocará ou não o projeto. É melhor fazer isso que ficar sentado em cima do projeto, enrolando”, criticou.
Fonte: Monitor Digital
