Prysmian e CPqD investem R$ 3,5 milhões para ter microcabo 100% nacional

A demanda por acessos de banda larga e a necessidade de simplificar a instalação de redes de fibra óptica no Brasil uniram a fabricante de cabos Prysmian e o CPqD no processo de desenvolvimento de microcabos ópticos com tecnologia nacional. Os investimentos no projeto estão em torno de R$ 3,5 milhões, sendo R$ 1,5 milhão de recursos da Embrappi -Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, gerenciada pelo MCTI e que disponibiliza de R$ 1,4 bilhão para investir em seis anos.

Na prática, o projeto já começou há três meses e está programado para levar 18 meses, até que o produto consiga homologação e certificação junto à Anatel. O CPqD entrou com laboratórios e pesquisadores. A meta é produzir um microcabo óptico que reúna 288 fibras e tenha 11,5 milímetros no máximo. Hoje, um cabo desse porte tem 18 centímetros de diâmetro. A proposta, explica Váleria Garcia, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Prysmian, é de reduzir o custo da implantação em até 40% para operadoras e provedores Internet.

Indagado se o microcabo óptico já é fabricado em outros países, a Prysmian admitiu que sim, mas disse que o produto que está sendo feito com o CPqD não é 'uma tropicalização'. "Não é uma customização. Não é uma adaptação simples. Não estamos fazendo 'copy paste'. O microcabo óptico terá um desenho novo. Ele precisa se adequar às condições do Brasil. Nós mesmos já trouxemos produtos de outros países que não funcionaram aqui. Temos que pensar em clima, solo, topologia de rede e, até, na mão de obra que vai instalar esses equipamentos", explicou o diretor Comercial da Prysmian, Reinaldo Jeronymo.

Para o coordenador geral de serviços Tecnológicos do MCTI, Jorge Campgnolo, a aliança Prysmian e CPqD, com os recursos da Embrappi, chega para resolver um problema crônico do país. "Transformar conhecimento, inovação em produto é uma dificuldade histórica nossa. Essa iniciativa tem tempo delimitado para termos um produto capaz de atender a demanda do país. É conciliar inovação com o tempo comercial", frisou. Para o CPqD, diz o vice-presidente de Pesquisas e Desenvolvimento, Alberto Paradisi, a oportunidade é o de ter domínio dos processos e testes dos protótipos.

"Nossos pesquisadores estão mergulhados nessa iniciativa. Já estamos buscando os materiais para a composição desses cabos", explicou. Desde outubro, o CPqD atua como uma unidade da Embrappi na área de Comunicações Ópticas. "Queremos mais e estamos negociando outros projetos, além desse com a Prysmian, e com a PadTec, na área de WDM", acrescenta. Os microcabos ópticos ainda não têm uma normatização e a expectativa é que a Anatel defina as regras até o começo do segundo semestre.

Sem sinal de crise

Nos últimos 10 anos, a Prysmian investiu cerca de R$ 150 milhões em P$D no país, com uma média de R$ 15 milhões/ano. "Temos uma preocupação com tecnologia nacional", diz o CEO da Prysmian para a América do Sul, Marcello Del Brenna.

Segundo ele, a demanda por fibra óptica - até em função dos planos do governo para banda larga, entre eles, o REPNBL, não sentiu a retração da economia nacional nesses primeiros meses de 2015. "O setor de Telecomunicações está passando de forma melhor por esse momento da economia brasileira. Os pedidos acontecem. Houve uma pequena retração dos provedores Internet, mas as operadoras estão investindo e comprando", sustentou o executivo.

O microcabo óptico nacional terá a missão importante de garantir um reaproveitamento melhor dos dutos já existentes-são menores e, por isso, comportam mais fibras e de reduzir o custo de implantação de uma rede no país.

"Fazer rede no Brasil é muito, muito caro. Há dificuldades gerais, como licenças, mão de obra. Para não termos projetos suspensos, estamos apostando em produtos que minimizem esses custos. A ideia do microcabo ótpico é de reduzir o custo de uma rede em até 30%, o que seria um grande ganho para todo o ecossistema", completa o CEO da Prysmian.

Fonte: Convergência Digital